One cigarette


No smoke without you, my fire.
After you left,
your cigarette glowed on in my ashtray
and sent up a long thread of such quiet grey
I smiled to wonder who would believe its signal
of so much love. One cigarette
in the non-smoker's tray.
As the last spire
trembles up, a sudden draught
blows it winding into my face.
Is it smell, is it taste
You are here again, and I am drunk on your tobacco lips.
Out with the light.
Let the smoke lie back in the dark.
Till I hear the very ash
sigh down among the flowers of brass
I'll breathe, and long past midnight, your last kiss.


Edwin Morgan

(roubado aqui )

ERRATA
Onde se lê Deus deve ler-se morte.
Onde se lê poesia deve ler-se nada.
Onde se lê literatura deve ler-se o quê?
Onde se lê eu deve ler-se morte.

Onde se lê amor deve ler-se Inês.
Onde se lê gato deve ler-se Barnabé.
Onde se lê amizade deve ler-se amizade.

Onde se lê taberna deve ler-se salvação.
Onde se lê taberna deve ler-se perdição.
Onde se lê mundo deve ler-se tirem-me daqui.

Onde se lê Manuel de Freitas deve ser
com certeza um sítio muito triste.

Manuel de Freitas


Estes desenhos foram feitos a partir do talento e da presença recente, mas já tão querida
do Manuel e da Inês.
Muito Obrigada.
(Sandra Filipe)

Último ...---...



Que te protejam, na noite separada,
as mais frias certezas e a boca da catástrofe
que não beijou nem quis o poema inacabável.

Manuel de Freitas

...---...



As coisas deste mundo? Prefiro falar
do precipício concreto
de um abraço.

Manuel de Freitas

...---...



(...)


Pássaros que nunca vira
insistiram em acompanhar-nos,
pela estrada de areia breve
onde tantas vezes caí de bicicleta.
Quase gostei de estar vivo -
vivo, ao teu lado, naquela manhã de Março.


Manuel de Freitas

...---...


(...)
o grito comum que viemos suspender aqui 

a questão no fundo é apenas esta: há momentos
em que a vida nos parece quase bela,
escolhos onde embatem as mais íntimas certezas.

talvez adormeçamos lado a lado , 
de costas para a morte, e haja corsários ao fundo, 
um mar de gelo protegendo-nos da noite. 

Manuel de Freitas

Marco Miliário

(autor desconhecido)


A ARTE PAGA O SEU PREÇO, O SER HUMANO
não paga nenhum.
Vós sois pela liberdade da arte,
do ser humano
falais apenas sob
este
signo.
E afinal
existe em todos nós
o mesmo Deus,feio-
-belo,
verdadeiro.

PAUL CELAN , 4/11/1961