17 Junho, 23H, no Bar A Barraca




Luiz Gabriel Lopes é um jovem cancionista que hoje vive em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. É vocalista e um dos principais compositores do grupo Graveola e o lixo polifônico, sucesso de público e considerado pela crítica como um dos principais grupos de música independente produzida atualmente no Brasil. Tem dois albuns lançados com o grupo e recentemente lançou seu primeiro trabalho solo, o disco “Passando Portas”, composto e gravado em Lisboa entre junho e agosto de 2010. Sua música reverbera a rica tradição da música popular brasileira, além de alinhar-se também com a expressão mais recente do indie e pop, produzindo canções originais a um só tempo refinadas e comunicativas.



http://www.myspace.com/lglopes




tão perto assim
passam portas, palavras
como a imaginar a nossa casa cada vez maior

como a dizer
noutra língua mesma nossa
algo transbordado das palavras e das direções

religiosamente
o dia a dia desaguando além
e a poesia torna-se alimentação

convém lembrar:
- nossa casa é uma promessa que alivia as dores do planeta e do coração,
e a melodia que há em nós respira o dom de ser um só (em tantos nós)
quase absurdamente
sentidos musicais em comunhão
e a poesia desaguando além do chão


O Amor é de outro Reino


O amor é de outro reino. (...) Da amizade, do amor, do encontro de duas pessoas que se sentem bem uma ao lado da outra, fazendo amor, falando de amor, trocando amor, conversando de amor, falando de nada, falando de pequenas histórias código de ministros com aventuras de aventuras sem ministros conversa alta e baixa de livros e de quadros de compras e de ninharias conversas trocadas em miúdos ouvindo música sem escutar música que ajuda o amor o amor precisa de ajudas de ir às cavalitas de andas de muita coisa simples amor é um segredo que deve ser alimentado nas horas vagas alimentado nas horas de trabalho nas horas mais isoladas amor é uma ocupação de vinte e quatro horas com dois turnos pela mesma pessoa com desconfianças e descobertas com cegueiras e lumineiras amor de tocar no mais íntimo na beleza de um encanto escondido recôndito que todos no mundo fizeram pais de padres mães de bispos avós de cardeais amor agarrado intrometido de falus com prazer de alegria amor que não se sabe o que vai dar que nunca se sabe o que vai dar amor tão amor.




Ruben A.
'Silêncio para 4'
Love After Love


The time will come
when, with elation
you will greet yourself arriving
at your own door, in your own mirror
and each will smile at the other's welcome,
and say, sit here. Eat.

You will love again the stranger who was your self.
Give wine. Give bread. Give back your heart
to itself, to the stranger who has loved you
all your life, whom you ignored
for another, who knows you by heart.

Take down the love letters from the bookshelf,
the photographs, the desperate notes,
peel your own image from the mirror.
Sit. Feast on your life.


Derek Walcott

Colar de Contas



Por toda a parte nos resta ainda uma alegria.

A dor pura entusiasma.
Quem sobe sobre a própria miséria, está mais alto.
E é magnífico saber que só na dor sentimos bem a liberdade da alma.




Hölderlin, Hyperion



All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms...


então a vida abater-se-á
sobre a folha de papel
onde verso a verso
me ilumino e me desgasto

al berto



HÁ VÁRIOS MOTIVOS PARA NÃO AMAR UMA PESSOA,
E UM SÓ PARA AMÁ-LA,
ESTE PREVALECE.

Carlos Drummond de Andrade