Amo o caminho que estendes por dentro das minhas divisões.
Ignoro se um pássaro morto continua o seu voo
Se se recorda dos movimentos migratórios
E das estações.
Mas não me importo de adoecer no teu colo
De dormir ao relento entre as tuas mãos.


Daniel Faria



How many days are left
And what to spend them on?
Should I keep working
Or sit and marvel at the sky?
I think about your skin, your fragile skin
The heaven of life we're living in

Drink it in, drink it deep
I pray to life your soul to keep
Drink it in, drink it in

Pink clouds scatter
My heart beats clear
For all the hearts that I hold dear

Drink it in, drink it deep
I pray to life, your soul to keep
Drink it in, drink it in
Drink it in, drink it in
                                    
                                                                                                                   manuela pimentel


3
ao cimo do jardim no topo
de todas as hastes do jardim é
como se explodisse uma praia.
ou como se rodando sobre si mesmo
e subindo, em cima, o jardim
expirasse uma praia que se abre.
e então na mínima ondulação
dessa praia, no alto da explosão,
é um jardim terrestre que vai
começar
a aparecer. que recomeça.

manuel gusmão

No tempo em que celebro o meu aniversário o Arquivo de Cabeceira vem ao Marbles

A de Aniversário (VI)

No aniversário de uma das minhas pessoas preferidas, o meu poema de aniversário preferido:

A BIRTHDAY

My heart is like a singing bird
Whose nest is in a water'd shoot;
My heart is like an apple-tree
Whose boughs are bent with thick-set fruit;
My heart is like a rainbow shell
That paddles in a halcyon sea;
My heart is gladder than all these,
Because my love is come to me.

Raise me a daïs of silk and down;
Hang it with vair and purple dyes;
Carve it in doves and pomegranates,
And peacocks with a hundred eyes;
Work it in gold and silver grapes,
In leaves and silver fleurs-de-lys;
Because the birthday of my life
Is come, my love is come to me

Christina Rossetti (1861)


                                 [Obrigada à Inês, no coração e aqui ]

Back in Town

A vida, ao pé de mim, não é uma democracia.
A meu lado, muito menos. Não pretende a justiça,
não rebola no charco das lamas-panaceias,
satisfaz-se com pouco, momentos de silêncio
grávido de gente verdadeira. Para a mentira,
aqui, não há lugar; é como no teatro e nos romances
- fidelidade ao texto, liberdade nos gestos
com que lhe damos asas, noite a noite,
meticulosos guardiães do medo
de que alguém fuja durante o nosso sono.
A vida, ao pé de mim, é um trabalho eterno.
A meu lado, a tristeza derradeira.
Funda, para engolir todas as outras.
E Quem me abriu dois batentes na goela,
fez-me armazém de mágoas, como esgoto
do mundo desalmado do abandono.
Não trago paz; só, talvez, menos guerra
connosco, dia a dia, torturada.
Trago uma espada, é certo, de dois gumes:
um, minha cama; o outro, a minha ausência
- escolhei, para sempre, onde vos deitardes.

Miguel Martins

"MAS HÁ DÚVIDA?"

Aos Amigos