"BMLT"
Por isso sou semente, semente antes de tudo, do que nunca virá e vai de mão em mão. E perco-me na sede dos que nunca existiram e encontro-me comigo quando menos me apraz. Se havia uma insolência lavrada no caminho, como bem podeis ver, o certo é que não há. Mas não há humildade, muito menos modéstia. Mas não há a entrega que não há em ninguém. Há somente, a demência e a imensa fadiga, há, apenas, o asco com que digo amanhã.
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Há um tempo incorrecto em tudo isto. Há um deserto enorme na paisagem. E hás tu a dizer caracolinhos louros na foto da infância. “Que o mar não te leve” e eu ali. Há o mar, e esse é todo o tempo. E hei eu, ‘inda gordo como lume, a respirar-te à luz de Leroy Jenkins. Há os dentes perdidos no caminho. A eterna deriva encapuçada. Há as linhas perdidas letra a letra e a saliva que nego (por usura?). Talvez um dia perca o meu olhar. Mas por ora, sou Miguel, o por enquanto.


(No dia 17 de Maio, Domingo, pelas 17h - HOJE - espectáculo "BMLT", com texto Miguel Martins, leitura por Changuito, música e pintura ao vivo, por Abdul Moimême e A. Pinto Ribeiro, respectivamente. É no Teatro Chimico (foto) do Museu de História Natural, na Rua da Escola Politécnica, em Lisboa. A entrada é gratuita. )


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