04.Novembro.1943

Às vezes o mundo inteiro
não chega para nos escondermos:
estranhos que se intrometem
diálogos que terminam sem esperança,
desculpas que não pegam,
nem em bazares de Marrocos.

Vítor Nogueira

Hoje fazias anos. Fazes.
No meu peito fazes uma coisa estranha.
Fazes pouco.
Não fazes falta.
Um dia digo-te isto, muito baixinho ou muito alto,
para que talvez ouças, para que deixe de te ouvir.

Eu era mais ou menos,
era muito jovem.
Precisava de ti.
Como os filhos precisam dos pais, às vezes, até muito tarde.
Para que o coração não doa.

Parabéns por teres ido.
Por escolheres outro sangue.
Por seguires a tua vida.
Por não acabares de medir a minha altura
na escala inventada à pressa na parede,
que te mostraria até onde era capaz de chegar.
Um metro e setenta e dois.
Saiste aos cinquenta e três...
podia ficar grande demais.

E na verdade, vistas bem as coisas,
nem me deixaste para trás.
Parabéns.


Sandra Filipe

3 comentários:

  1. Sandra,

    Não tens parede para medir este poema.

    Beijo,

    Ricardo

    ResponderEliminar
  2. Beijo, amiga. Com tudo.Clara

    ResponderEliminar
  3. Tem a tua medida. É lindo.

    Um beijo
    pb

    ResponderEliminar